2 poemas de Michele Soares

por Michele Soares
Obra: Finale! de Lou Mayer (1915)

Michele Soares nasceu em 2000 e estuda Letras na Universidade de São Paulo. Quanto ao resto, está tentando.


satíricas

i.

por uma tentativa de esmigalhar o tédio nos dedos
como um pernilongo pesado do sangue dos outros.

ii.

como numa festa em que Tim Maia e macarena
te avisam que já passa da hora — não interessa qual.

iii.

— acende a luz.
— gosto do escuro.
— acende, acende.

e vejo teus olhos borrados de saudade.

iv.

escrevo como limpo e encero a casa
esperando alguém que mandou mensagem
seis horas antes avisando que não vinha — e não veio!
mas eu não vi.

v.

uma tristeza que se aloja
nesse quarto de hora.



melancólicas

i.

a frase “ele sentia que a saúde estava boa”
na penúltima página de uma biografia.

ii.

ir ao theatro para a primeira ópera
sem ser a atriz, a ribalta
e muito menos a música.

iii.

responder “beijos” com “até mais”
assinar o todo do nome
no lugar das iniciais, ponto.

iv.

enfim gostar da música favorita dele
quando ele já foi embora.

v.

ir se esquecendo das cores do céu
enquanto ainda é possível vê-las.


Ilustração: Finale! de Lou Mayer (1915).

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