5 poemas de Diana Luz Neves

por Diana Luz Neves
Arte: Summer Night at Sandø, de Eilif Peterssen.

Diana Luz Neves é poeta, nascida no ano de 1994, em Montes Claros, interior do norte do estado de Minas Gerais. Vive atualmente na cidade do Salvador, Bahia. Escrevendo, tenta afagar a palavra. Publicou em 2022, pela Editora Letramento, seu livro de estreia, Coração pássaro espuma esfinge.


dentro

por ser interior tudo é menor
mais junto do chão
por dentro a face curta da intimidade mais simples
da gentileza mais próxima
o princípio mais fresco e
a fala mais justa à voz – o tempo do mito
a infância da terra mais terna em tudo o tecido
escorregadio e lânguido da saudade
de tudo quanto faz doer de tão igual
ao interior devo a minha desconfiança e o jeito que tenho
de colocar reparo e o jeito que tenho de me entristecer
uma modéstia que não consigo espantar
medida esquiva de minha humildade
– alguma integridade antidramática
e o modo silente que tenho de mudar a guarda
quando cai a tarde


stone flower

ama o teu rosto pelo que ele tem de frágil ou bruto
pelo que ele tem de incerto extraño freak
volver a los 17 e entalhar de dentro do espelho
uma beleza possível – très chic
narciso andrógino desabrochando em flor
toalha enrolada nos quadris um bicho
espreguiçando-se ao sol
fazendo sombra em meu sorriso
malícia feromônica no vapor divisando o meu rival
ama o teu reflexo pelo que mais ele esconde de seu


sábado antigo

hoje eu me sentaria no chão do teu quarto
em que cidade fosse o teu quarto
noite de céu de aguaceiro perfumado e confessaria
infalível o sem-fim do meu desejo
como os gatos que trazem da rua
de presente o ardil – entre os caninos
sua presa uma sua prova de minha afeição
sem trégua pouco impasse
lambendo o sal em nossas frases
pronunciaria o teu nome
como se em prece o pressentisse
esperaria contigo os pés velozes da manhã
velaria o seu sono
hoje


ondina

como num quebranto
me parece que em breve
as orlas serão apenas aço e espelho
devolvendo em recusa
a oferta resplandecente do sol
encadeamento estreito
infenso a qualquer esplendor


*

seria preciso primeiro chacoalhar
com movimentos ágeis a ferrugem da escama
sinal e revés de destreza do meu embaraço amável
em permanecer muito tempo
em uma mesma qualquer latitude

depois de conferir o pulso de um coração aéreo
encarnado e ameno nos punhos
aferir os reflexos dos nós dos dedos à contraluz
me sentir agitar
até saber de mim à deriva
para só então corrigir a postura e o prumo


Arte: Summer Night at Sandø, de Eilif Peterssen.

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