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Alalázô, poema de Pedro Torreão

por Pedro Torreão
Obra: ALALAZO de Marcvs (2022).

Pedro Torreão (1988) é recifense, sociólogo e poeta. Mora em São Paulo desde 2017. Estreou com Pão Só (Editora Urutau, 2021), pelo qual recebeu menção honrosa no Prêmio Maraã de 2019. Alalázô (Editora Aboio, 2022) é seu segundo livro de poemas. Tem poemas publicados em revistas como Aboio, Ruído Manifesto, Lavoura, entre outros.


O poema Alalázô dá nome ao novo livro de Pedro Torreão e novo lançamento da Editora Aboio. Alalázô está nos seus últimos dias de pré-venda e é sua chance de garantir o livro com frete grátis! Clique aqui para comprar.


Alalázô

ἀλαλάζω
a.laˈlá.zo/
α·λα·λά·ζω

verbo
1. gritar, berrar
(especialmente com alegria)
2. ulular

Trompete ruidoso enquanto penso
muralhas, talvez, cindem
– como anterior antídoto –
que dissolve a milímetro
construções pela boca de quem
sopra e de quem expande em
metal acústica reinante
no bronze do corpo de quem passa
em frangalhos sob meus olhos.

Distancia lembrança de coro
infantil, presumo pelo gango gasguita
que desmembra verso em flashes
da audiência.

Enfim infância, diriam, enquanto engasgo
a vida em pequenos passos e seguro o corpo
no palato e vibro o vinho na úvula que
desce transmutando corpo em vida
degluto deus em minúscula esfera
som de ginásio ecoa e apavoro coreografia.

E enquanto vibro, penso no marshmellow sob as frutas
e sobre o marshmellow uvas
                                                   verdes.

Em casa ungido a ver uísques que passam
de boca em boca tal qual os dedos
ao aproximarem-se de meus dentes ainda disformes
e, ao fim, os ranjo pela noite em bruxismo
e ronco à jericó de todos os dias.

Evocam da cozinha o
paladar de antes que remonta
aqueço o corpo na madrugada, assim
inaugura minha fome.

Grito e cuspe saem da mesma boca
mesmo que digam guspe, em são paulo,
mas se o amor
em paulo se diz sem ruído, se diz silêncio
o grito é por dentro como engulo
guspe cuspe baba saliva catarro
sem som, só o que ouvimos dentro da
caveira, só eco sozinho dentro de mim
som de engolir, enfim, escuto e transbordo em
ondas no esôfago que sinto como repuxe de
onda e espuma, mas é ácido.

Grito volta em madrugada e baleia que engulo
jonas, seus armários e toalhas me sinto
templo sagrado em baleia e humano e terra seca
dentro de mim tudo volta em espuma e carrêgo e
encargo, missão e peso.

                        Enfim, espirro.
                                                     Dentro, pra fora
                        humano, profeta e maldição
                                                                             exegese pelo êxodo.

Paulo fala do amor sempre como condição
sem o qual não. 

Como saulo fui criança e
agi como criança sonhei como criança bebi como criança
mas adulto, desvejo em paulo os atos de criança
pseudográficos e canônicos como em
damasco
e enxergo pela miopia a vida de
criança entrôpa e busco, caído,
energia que me eleve do chão batido, da estrada em pau 
                                                                                                          [e pó
Relincho e o cavalo fala pela voz de quem o guia
como mesa branca como espírito que bate como
oniecosequus.
Sucumbo e levanto pureza.
Leveza e caravaggio.
Carrego o cavalo e ele me carrega na queda.

Afio língua e lambo a caneca como pedro retira a espada e bebo
como pedro desloca orelha e fumo como quem nega 3 vezes 
                                                                                                                  [o vício presente.
O grito por dentro é o que nega em vergonha é o que esconde em frestas é o que se
crucifica em upsidedown,
pai, por que me abandonaste com a cabeça ao chão?
masoquismo e martírio da pedra que edifica e o
cimento moral calcifica.
Carrego pedras
                         atiro.

Com os pés rotos
espalho hóstias no asfalto
esburacado
e preencho bocas
de lobo com gigantes moedas
da companhia elétrica.

As abóboras que secam em cima do suicida
anunciam tendas que escalam fora da cidade.
deus engole, cospe e seca uma vez em terra:
– melhor mar e entranhas 
                                                [diria o profeta sem profecia.

jonas caminha para o fim 
                                               [ao ver a salvação e
morre sem ver a morte que lhe sai pela boca
engolido em água, gomorra de entranhas
sodoma pessoal, cetáceo e casa.

Venerar o grito o urro e abrandar
cegueira e voz como morcegos
                                                           :
                                                             radar
receber.

Suba aos montes, ovelhas
ovelhas aos montes e pastoreio
berro e solavancos.
Tecer a lã, ovelhas.
Pajeú de outro deserto
abraão, olha por tua família
ela grita, abraão.
O sino da garganta de isaque tine
metal.


Obra: ALALAZO de Marcvs (2022).

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