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por Eleazar Venancio Carrias
Fotografia: Ilha de Brocoió, tomada a partir da praia Comprida – Autoria não identificada (Acervo Instituto Moreira Salles).

Eleazar Venancio Carrias nasceu em 1977, em Tucuruí, Pará. Publicou os livros Máquina (Urutau, 2021) e Quatro gavetas (Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, 2009), vencedor do 1º Prêmio Dalcídio Jurandir de Literatura. Com Máquina, foi semifinalista do Prêmio Oceanos 2022 e finalista do 4º Prêmio Mix Literário. Estes poemas integram o livro Regras de fuga (Urutau, 2023).


Dia seguinte

Tua falta é isto.
O computador falha, a garganta falha, o choro se esquiva.
Tua falta é uma bola de tênis no canto da sala.


Alguém espera

Alguém espera enamorar-se para.
Uma tragédia familiar:
//
Haverá tantas folhas tremendo
Sobre a calçada que
Outono.
//
Alguém sentará ao computador e.
E.
E.
E.
//
Mas fluirá nem.
Outro dirá: método. Como se.


17h

Se olhasses o modo
como olhas o mundo
às cinco da tarde.

Convém que tenhas o pescoço longo
e olhos míopes.
Há certas horas em que só a cabeça baixa
e uma ignorância treinada
podem nos salvar.

Ademais, um pescoço
longo e flácido
é o melhor remédio
num dia absurdo.


O abridor, a luz

Agora que estás (tu o sentes)
só,
se te revelam novas regras de não-destino.

Jamais terás uma adega,
mas comprarás um abridor.
Tu o usarás até que
o amarelo cristalino no copo
seja a única luz nos teus olhos.

A televisão será apenas
um elemento da decoração autoimposta.

Revistas e roupas espalhadas
negarão que há um vaso à porta,
reclamando visitas.

Não serás nunca poeta,
mas amarás tuas filhas.

Agora que estás só,
pouco importa falte água:
só precisas de luz.


Fotografia: Ilha de Brocoió, tomada a partir da praia Comprida – Autoria não identificada (Acervo Instituto Moreira Salles).

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