funcionalidade fugaz e paradoxal

por Lorraine Ramos Assis
Pilares refletidos pela água turva

Lorraine Ramos Assis é uma artesã do caos. Nascida no ano de 1996, no período do grunge, escreve para tirar uma sociedade da inevitável zona de conforto. Estuda Sociologia, na UFF. Publicou nas revistas Ruído Manifesto, Diversos Afins e fez parte da Antologia Ruínas, da Patuá. Integra o projeto literário Senhoras Obscenas.


Funcionalidade fugaz e paradoxal

Esmiuçar o preciso requer tempo

“tempo, tempo, tempo”
Ligeiro alarde

Esboço que se consolida integralmente no invólucro da idealização
Narcísica e paradoxal

“não, nada disso”

Paradoxal é a janela de um ônibus que esvai sua vista panorâmica ao miúdo processo
Dissociativo
Cujos passageiros locomovem-se arduamente

Imprecisão
Inconsistência
Estardalhaço de uma tarde urbana indissociável de um abatimento infantil

“não pense muito, se não irá esfarelar ainda mais esses seus pequenos grãos de areia em seus olhos”
Paradoxal e cansativo

“aproveite a vista panorâmica”
Paradoxal e suja vista!

“aproveite essa frota; muitos não pegam ela”
Desestruturada

E muitos não percebem, mais uma vez, o parodoxo panorâmico da miséria de uma subsistencia primitiva, posta, mais uma vez, a cada ano, na rua de uma Urca em descaso


A utopia é vestida nas comemorações

O couro legítimo que está nas entranhas das sandálias artesanais satura-se
ao recair o dia primeiro de janeiro após pisos entranhados em terra
Do material orgânico terreno fecunda-se novos caminhos
alçados em festividades e semblantes formais e obrigatórios

Por que se esvaiu de meus dedos brancos, sandália do calçadão de Bangu?
Sua matéria prima agora urge em baldes sujos em dias de montantes chuvosos
carregados de pés descalços ou calçados sob um quintal de uma vila em que seus conterrâneos projetam suas insatisfações nos outros tanto quanto os projetores
De minha última festividade recheada em degenerações e promessas utópicas, mas justas

Às aguas pluviais das enchentes desse mesmo janeiro, eu peço que o que foi submergido
nessas mesmas águas sujas, o saneamento básico de uma nova vida sem impulsividades
Ainda que eu seja uma pessoa efusiva e necessite desse mecanismo

Nas profundezas de um balde que nunca esgota-se há uma diluição
de você, sandália artesanal, no momento esquecida há quase dois anos por uma paranoia
De festividades inacabadas, mas que precisam de uma nova projeção agora sem sujeiras
que não serão alçadas nas exposições das casualidades

A partir de um mop ( no formato de pó seco para limpeza), o que está encardido não terá palco
interlocutores estarão sem as miríades de meus conflituosos desvios
Cassius Whitem, branco como induz o seu sobrenome ao se mesclar com o cabo em seu invento, pega em minhas mãos ao deparar-se com minhas sujas sandálias e mãos
E diz-me que com o seu novo produto, nunca irei alçar voo nas poeiras e demais
compostos orgânicos e inorgânicos

“A efusividade, senhores, nunca foi tão bom para meu projeto”


Foto de Luísa Machado.

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