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um corpo na padaria & questão contábil

por Eber Freitas
foto de maria cecília chaves machado de pessoas em fila próximos a prado vazio. ilustra dois sonetos de eber freitas

Eber Freitas é jornalista, tradutor e poeta aprendiz de marginal.

um corpo na padaria

naquele dia, pôs-se a escarrar sangue
dos tísicos pulmões. chegou, então,
à padaria do café com pão,
onde tombou no piso, já exangue.

o corpo das impuras ruas, langue,
no plano assético abre estreito vão;
com sacos de lixeira oculto, não
por dó, mas para que ninguém se zangue.

de fato, quem ali fez desjejum
não viu motivo de maior incômodo.
talheres, pratos e alarido. típico.

apenas mais um dia em que nenhum
defunto branco — rico — ocupa o cômodo.
pedinte morto nada tem de atípico.


 questão contábil

que tanta diferença existe dum
milhar até quarenta? um ajuste
aqui, folga acolá, nada que custe
demasiado empenho. cá, nenhum.

alcantiladas linhas, sem futum,
sempre acomodam eloquente embuste,
porque garanto que não há quem suste
demanda por mais covas. bem algum.

a morte, com seu laço corredio,
comprometeu a força laboral,
porém a oferta é grande e a fome espreita.

agora anote aí: o porcentil
final, com saldo sacrificial,
garantirá pujança na colheita.


Foto de Luísa Machado.

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