domingueira

por Tomás Fiore Negreiros
Copos caídos no chão, com o canudo sobre o concreto. Representação de Domingueira, por Luísa Machado. Para o poema de Tomás Fiore Negreiros.

Tomás Fiore Negreiros é formando em psicologia pela PUC-SP. Atualmente é editor digital do suplemento cultural Frentes Versos.


É contra vento
que o nariz corta
o assobio entorta
os raios latem
e vira latas agem
anunciando a nostalgia não consumada.

A parede descascada rosa
ainda vistosa,
o vizinho deschinelado
ainda sonado
andando cá e lá
errando idearias tortas.

No vará
varada de sono, prega, descaso, passada
a camisa errante
se esleva em sonhos de respingo
voando pela rua, tomando a avenida
gritando
ainda é domingo.

No corredor do lado
do jardim mal amado
de resquícios de verde salsinha,
ervas daninhas
a moça suspira
a abertura de mais uma gelada
e escuta
que o nó daquela orelha
ainda dói em si.

Mas dexía
que a esquina corta brisa
das gargalhadas e banalidades de gente
garfadas, bebericadas,
causos, piadas,
silenciadas
num sobressalto indecente
da avenida desbaratina.

Enfim,
ainda é dia.


Foto de Luísa Machado.

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