grande hotel

por Daniela Quintas
grande hotel

Grande Hotel

Grande hotel que se instalava em meio a praça
Grande, imponente, cheio de janelas
Fruto de dores, alegrias
Discórdias e euforias

Era simbólico
Era o motim
Era a fantasia pra dor
Mas que fantasia era essa?

Do outro lado do quarteirão
Havia uma casa comum
Portão vazado cinza escuro
Telhado laranja de casa antiga
Jardim molhado pela chuva

Luzes acesas, cômodos quentes
Cheiro de dor e vaselina
Havia um telefone antigo enrolado e pendurado
Em algumas pessoas
Pessoas correndo atrás de pessoas

Que filme é esse?
Que dores são essas?
Que morte forte e ao mesmo tempo flácida
Imunda
Sem voz

Tudo isso é estranho
Doloroso
Angustiante
Demos forças
Uns aos outros


O Outro Lado

Já faz um tempo
E eu agradeço pelo dia
Pela fantasia
Pela amizade
Pelo amor

Tudo é poesia nesse instante
Eu me fiz completa
Hoje estou inversa
E a dor no corte do coração
Vai se recuperar

As costas, a largura
Cada osso da musculatura
São apenas ossos
É apenas o físico
O ser humano de onde vem
É composto por calamidades químicas e biológicas

Olha o que eu fiz
Olhei pra mim
No instante em que o sol
Se punha e dedilhava meu dedo
Meu coração enclausurado
Perturbado de amor sem fim

Ninguém escreve, ninguém escreveu
Só senti o inconsciente do incidente
Da vida tomando conta do que eu fiz
Do que eu vivi

Obriguei-me a encarecer
Os lustres da minha sala
Da sala cheia de falas
Juras, conjunturas
E algumas mentiras
Do outro lado da face

Quem disse que não pode ser?
Quem disse que tudo acabou?
A mistificação já me fez ver
A enorme noção do tamanho
Dos meus quatro dedos e quatro cortes
Falta um dedo que aponta para o horizonte

A vida é tão bela, meu bem
Não se afaste da cruz
O dia se pôs outra vez e eu fiquei a ver navios
Como dizem

A chance de eu me tornar uma criança já foi
Hoje eu posso ser a jovem criança transformada
Transformada em espelhos diferentes

Meu reflexo já não é mais o mesmo
E eu tenho sede de tudo
Sede de viver o que eu sinto ainda
Sede de poder descontruir

Não sei, não sei mais o que é de mim
Os forasteiros chegam e me avisam
Da hora de seguir, de mudar, de transformar

Faroleiro, Faroleiro
Cada dia eu canto mais
A nova vida que habita em mim


Solitude

Os olhos que enxergam
São os mesmos que apagam o visto
As luzes não estão mais acesas
Os postes foram quebrados
O sol incendeia, queima, ferve
Todo o lugar

O que será que faz com que as pessoas saiam?
O que será que faz com que elas se afastem?
Hoje tem uma explicação
Mas antes não havia motivos

Os espaços eram largos
O lago só ficou estreito porque erramos o caminho
E eu sei que ninguém te ouviu
Ninguém quis te ouvir

Saiba que esses barulhos não dizem muito
O que diz mais a respeito
É o silêncio que vem de dentro
O respiro que soa como sussurro

Você se tornou quem queria ser
Ou quem julgava que queria?
Por que outra vez a porta está aberta?
A cada pergunta que é dada a dor é maior

Fique
Estabilize
Não pire
Equilibre

Se houvesse fórmula mágica
Pediria aos céus toda a força
Aos astros, universo, aos deuses
Mas teria alguma presença aqui

Solidão se fez
Solidão refém


Daniela Quintas é formada em fotografia, mas apaixonada por artes desde sempre. Seja pela música, cinema, literatura ou até mesmo pelas artes visuais, a arte sempre esteve presente em sua vida desde criança. Aos 12 anos começou a escrever como uma forma de relatar experiências e sentimentos. Depois de alguns anos a escrita se tornou uma forma de compor versos tanto para poemas como para músicas, assim como contos ou crônicas.

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