Pesadelo Tropical

por Marcos Vinícius Almeida
Arte: San Bartolomé, de Francisco Herrera o Velho.

Marcos Vinícius Almeida é escritor, jornalista e mestre em Literatura e Crítica Literária (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Possui trabalhos publicados em revistas e jornais, como Ilustríssima, Suplemento Literário de Minas Gerais, Revista Cult. Foi um dos laureados no III Prêmio UFES de Literatura, em 2015, na categoria antologia e no I Prêmio UFES de Literatura, em 2010, na categoria contos. É autor do volume de contos Paisagem interior (Penalux, 2017). Pesadelo Tropical é seu primeiro romance.


I

Para os nativos destas terras, a Colônia não é o Novo Mundo: é um amanhecer depois do Apocalipse. Quando desembarquei deste lado do oceano pela primeira vez, foi essa a impressão. Não encontrei aqui um mundo novo, mas as ruínas de um mundo arcaico, mais antigo e ancestral, um mundo tão antigo e ancestral quanto as árvores e as pedras. Esses nativos esquecidos da própria língua, meio vestidos e meio nus, são sobreviventes daquele mundo antigo, um mundo que acabou.

Tampouco há qualquer projeção do Paraíso Terrestre nos olhos um tanto insensibilizados, um tanto órfãos, das legiões de negros descendo dos barcos. Um cheiro de sal, de musgo, de peste. E quando um dos homens, o mais castigado, vai ao chão, recebe como brinde açoites e pancadas. O sangue que sai dos corpos dos negros tem o mesmo vermelho do dos brancos, mas esse detalhe ínfimo, ao que parece, escapa à compreensão dos carrascos. E pouco interfere na cotação do ouro. O problema parece ser espiritual.

Achas que esses pagãos têm alma?, indagou-me certa vez um jovem sacerdote nas colônias da África.

Pra falar a verdade, eu disse, tenho duvidado até de mim. Não crê nas palavras do Messias, na ressurreição dos corpos? Olhe ao seu redor, meu jovem. As santas palavras do seu Messias são lâminas de mil pontas. Se existisse um sopro de vida além dos corpos, seria melhor estar no inferno.

Isso foi há muito tempo. Nunca mais vi o jovem padre.

A julgar pelas vestes e pelos hábitos à mesa, disse o homem que eu aguardava, interrompendo minhas notas, posso afirmar que estamos diante de um professor.

Minha fama de mercenário, eu disse, não faz justiça à minha aparência. Retirei do bolso a carta que havia recebido.

Pois seja. E fez um sinal aos seus homens, que se puseram a guardar as portas.

Gostaria de reencontrar aquele jovem padre. A verdadeira fé sempre me pareceu uma defesa contra a catástrofe da vida. A barbárie natural dos homens. Conheci poucos anciões que ainda acreditassem em alguma coisa. Quanto tempo ele resistiu?

Seus companheiros, disse o homem, são sujeitos rústicos, como o senhor terá a oportunidade de constatar. Mas são versados na geografia do sertão, acostumados à peleja com índios e quilombos. Pausa: Não é fácil encontrar escribas mercenários nessas terras, disse o homem, e os relatos das suas caçadas são famosos nos nossos meios.

Bondade sua.

Antes de sair, ele me explicou que meus três companheiros aguardavam num acampamento escondido na mata. Embora fossem homens úteis para esse tipo de serviço – e talvez por isso –, não eram bem-vindos na cidade.

Segui pela estrada indicada. Na terceira curva do caminho, segundo me disseram, e de fato aconteceu, encontrei uma velha árvore seca. Depois da árvore, uma trilha que ia abrindo passagem rumo à serra. Onde a trilha se bifurcasse, também me disseram, eu deveria seguir à esquerda. Ao final da trilha, uma gruta. Os homens estariam lá dentro.

Era de se estranhar que mercenários optassem por uma caverna em vez de uma taverna ou prostíbulo, mas esse estranhamento inicial logo foi deixado de lado: ao avistar a gruta, me deparei com um sujeito barbudo, completamente nu, perseguindo duas senhoras vestidas. O homem, sem notar minha presença, deu uma rasteira na mais frouxa das senhoras e caiu por cima. A outra desapareceu na mata. Para evitar constrangimentos, esporei o cavalo e me fiz notar pelos barulhos. Um herói.

O homem se levantou num golpe e correu para dentro da gruta. E num segundo voltou enrolado em trapos puídos, acompanhado de outro homem. Armados. E mirando minha cabeça. A mulher permaneceu deitada.

Não se preocupem, senhores. Podem continuar a festa. Se eu quisesse matá-los ou prendê-los, já tinha feito.

O barbudo, enrolado em panos, trazia duas pistolas à mão e deu um tiro para o alto. Depois resmungou alguma bestialidade que não pude entender. Mas o outro homem, um mestiço – mais índio que branco –, parecia menos afeito a selvagerias. Baixou a arma e pediu desculpas pelo comportamento intempestivo do companheiro. Então o barbudo se ofendeu: mirou a arma na cabeça do mestiço e ameaçou lhe arrancar os olhos e jogar o corpo, ainda vivo, para os porcos. O impávido mestiço não disse uma palavra. Sacou o punhal e o encostou no pescoço do barbudo. Logo acostuma, disse um terceiro homem, que se aproximava atrás de mim. Mas não se deixe julgar pela primeira impressão. Quando estiver cercado por um bando de selvagens, vai agradecer a Deus por ter esses demônios do seu lado, ele disse.

Um sujeito albino de quase dois metros de altura. Careca e sem qualquer pelo no rosto. Vestia uma bata cinzenta que lembrava os missionários franciscanos, poderia muito bem se passar por um deles, não fossem as armas que trazia na cintura e o aspecto andrógeno. Em todas as minhas andanças por terras e mares, nunca tinha visto um homem como aquele.

O gigante albino caminhou até eles e disse algumas coisas que não pude ouvir. O barbudo abaixou a arma e o mestiço guardou o punhal. Então ele foi até a mulher e apontou uma trilha na mata. A mulher saiu em disparada.

Os três sentaram-se próximos à fogueira. Aves inteiras atravessadas por espetos de pau e o chiado do sangue e da gordura pingando no interior do fogo. O calor era um manto úmido e quente e sufocante. Ao redor daquela fogueira, descobri que o mestiço se chamava Mair, e o barbudo, Moisés. Apertei suas mãos sujas e marcadas de cicatrizes. Quanto ao albino, que me pareceu um homem extremamente instruído e argucioso, mas cuja origem estava envolta em mistério, era chamado pelos companheiros de Cigano. Ele próprio conduziu as apresentações, breves e sem maiores detalhes, como se aqueles homens tivessem surgido, cada qual por si mesmo, das sombras daquela caverna, apenas com a pronúncia de um nome.

Eles faziam pequenos acertos de contas, qualquer tipo de serviço, a quem pudesse pagar. Caçavam escravos fugidos e espantavam índios bravos que ainda insistiam em saquear fazendas e pequenas vilas. Mas, segundo eles mesmos disseram, nada como isso que tinham que fazer agora.

De fato, seria impossível a quatro homens, como nós, caçar e matar Januário, porque segundo relatara o comandante, ao que o Cigano confirmou, além de contar com um bando fortemente armado, o proscrito despertava a simpatia da população. Tentativas de infiltrar homens disfarçados no bando nunca funcionaram. Os espiões eram sempre descobertos e terminavam esquartejados e jogados nas portas de quartéis

e igrejas. A saída, conforme o capitão tinha sugerido, e o Cigano também achara a melhor das hipóteses, seria viajar até a capitania de Mato Grosso, onde ainda havia tribos de guaicurus, os índios cavaleiros, algumas afeitas ao ouro e propensas à negociação. Até então arredios e invencíveis, os índios assinaram havia mais de um século um acordo de paz e colaboração com a Coroa Portuguesa. E o Cigano tinha lutado ao lado dos guaicurus em guerras antigas e disse que havia entre os caciques um velho amigo, a quem seria relativamente fácil convencer. Na primeira lua cheia de novembro, se tivéssemos sucesso na nossa empreitada no Mato Grosso, desceríamos rumo à Comarca do Rio das Mortes, enquanto uma tropa partiria de São Paulo, pelo caminho da Mantiqueira. Januário e seu bando não teriam forças para combater em duas frentes. Encurralados no alto da serra – onde, dizia-se, os proscritos vinham construindo uma vila –, seria rendição ou morte.

Para convencer os índios cavaleiros, o Cigano levava um pequeno baú, com ouro e prata. Uma insanidade. Proscritos dessas terras ermas têm o nariz afinado. Farejariam uma lasca de ouro a léguas de distância.

O Cigano se inclinou sobre a fogueira e arrancou uma das coxas do espeto e ali mesmo de pé a enfiou na boca.

Há um homem chamado Natã, disse e cuspiu as lascas de osso no chão. Um jesuíta, um dissidente, um pária. Vive nas margens do Rio Grande. Eu o conheci há muito tempo e esse homem me deve um favor.

Que favor?, perguntou Moisés.

Esse homem conhece coisas que a maioria dos homens sequer suspeita que ignora, o Cigano disse. Ele é aquilo que homens como você talvez tomassem por um feiticeiro. Eu vi ele jogar um miúdo saudável na cama apenas com meia dúzia de palavras. Palavras que não eram outra coisa além de barulhos, o Cigano disse. Mas o que importa é que esse homem me deve um favor e amanhã vamos cobrá-lo E depois do Cigano se calar, nada mais foi dito. Minha experiência e minhas andanças pelo mundo me ensinaram que na companhia de tais pessoas o silêncio é uma vantagem que se deve manter.

Os homens então entraram no interior da caverna e começaram a ajeitar suas tralhas. Pegamos a estrada com o sol no meio do céu.

Uma trilha pelo canto da serra, com uma floresta maciça diante de nós. A copa das árvores capturava a luz de tal modo que a noite já começava a nascer dentro da mata. O ruído de animais irrompia daquele mundo como uma linguagem que nós, homens, expulsos do paraíso, não temos mais condições de compreender. Naquela trilha abandonada, Mair seguia à frente, logo atrás vinham Cigano e Moisés. Vez ou outra, o mestiço sacava o facão e partia um cipó. Não havia conversa. Apenas o resfolegar dos cavalos e o silêncio inumano mais além.

O maior perigo dessas terras, disse Mair, em tom professoral, são os jaguares. Meu povo diz que eles nascem amarelos. E cada vez que comem uma alma, uma mancha preta cobre seu corpo.

Montamos acampamento à beira de um pequeno córrego. Desarreei meu cavalo e me sentei na grama para descansar. Mair acendeu a fogueira e depois tirou de sua bolsa um cachimbo e um saco cheio de fumo de Angola. Ele sacou um tição do fogo e acendeu. Então esticou o cachimbo na minha direção.

Obrigado, eu disse. E dei um trago modesto.

Já tinha experimentado fumo de Angola nas colônias da África, e também nos cabarés de Lisboa. Mas nada como aquele fumo.

Roubei as sementes de um velho pajé, disse Mair. Muito especial. Apenas em ritual e apenas o próprio pajé pode usar.

É realmente mágico.

Três tragos e as árvores começam a falar.

O Cigano tinha desaparecido. Moisés tentava pescar alguma coisa no córrego. Estrelas começavam a surgir como gotas de luz fora de foco e o zumbido da água e o som estridente dos grilos conversando com os sapos. Não ouvi a voz de nenhuma árvore. Mair me contou algumas histórias sobre o pajé, e alguns causos de batalhas e emboscadas. Traguei o cachimbo e também contei algumas histórias de minhas aventuras nas colônias africanas, jornadas pelo mar e também sobre povos exóticos e animais que ele nunca tinha visto.

Peguei o diário e escrevi algumas impressões. A verdadeira fé é uma espécie de febre. Cega e mata.

Moisés apanhou meia dúzia de peixes e começou a amolar a faca na pedra para limpá-los. Sob o ruído da lâmina, o Cigano surgiu caminhando nas águas, subindo o córrego. Completamente nu. A brancura do seu corpo reluzia impenetrável às trevas, que já àquela altura se precipitavam. Algum tipo de ser doutra natureza. Trazia numa das mãos um animal morto e jogou o animal na direção de Moisés. Agachou próximo da fogueira e ficou estudando o fogo.

Pois veja, disse o Cigano. Então temos agora entre nós um escriba, um evangelista deste mundo sem Deus. Um homem que empurra a vida dos homens para fora da própria vida.

Encarei o Cigano com curiosidade. Ele sorriu e depois continuou:

Há muitos séculos existiu um reino de cartógrafos, muito famoso em todo o mundo antigo, justamente pela técnica que eles empregavam na construção de mapas. Os cálculos eram tão precisos que até detalhes pequenos, como uma lasca de

pedra, podiam ser guardados dentro dos mapas. Os fazedores de mapas ficaram cada vez mais famosos e cada vez mais obcecados. Tinham por pretensão guardar nos seus mapas a totalidade das terras que visitavam. No auge do seu desvario, ergueram um mapa da mesma extensão do seu reino, que cobriu o Sol e a Lua. Só aí constataram o absurdo de seu propósito. Rasgaram o mapa em quatro grandes pedaços e o lançaram em terras ermas. Durante muito tempo aquelas lascas de couro arderam sob o sol, servindo de abrigo para as serpentes do deserto.

Ninguém disse nada, esperando que o albino explicasse a charada.

Mas houve uma segunda geração de cartógrafos, prosseguiu o Cigano, ainda mais rigorosa e cuja técnica ia muito além daquela primeira geração. Quando ergueram um mapa do tamanho do reino, como na geração anterior, passaram a morar no mapa. E seus mapas continuaram a crescer a cada nova empreitada. Então o novo projeto tinha agora o dobro do tamanho do reino, e depois quatro vezes os limites da pequena terra em que tinham nascido. Os mapas iam se alargando de tal maneira que o antigo reino era ele mesmo uma pequena folha de papel dentro de um gigantesco mapa cujos limites eram maiores que uma vida de caminhada.

Que porcaria de história é essa?, Moisés se levantou. Já ouvi muita bobagem nesse mundo, mas nunca uma aberração desse tamanho.

Mair começou a rir e o Cigano continuava agachado junto ao fogo.

De minha parte, não compreendi o sentido daquela charada de imediato. Só agora, quando escrevo estas memórias, suspeito de sua moral.

O homem que vamos visitar amanhã, disse o Cigano.

Um sabedor de oráculos. Um necromante. Não digam nada além dos seus nomes e devem se calar até que eu ouça tudo que ele tem a dizer. Então o ato será consumado e a dívida do pária esquecida.

Mair ofereceu o cachimbo ao Cigano e o Cigano o tomou para si e saiu andando na escuridão, em direção aos cavalos. Ele nunca dorme, disse Moisés. Às vezes eu acordo no meio da noite e vejo esse desgraçado nu, rodeando a fogueira. Uma cabeça estreita como a sua não entende tal coisa, disse Mair.

E que diabo de coisa é isso?, Moisés apontou a faca suja de sangue na direção de Mair. Escute bem, cara encardida: eu não vou com a tua fuça. E antes que essa história toda chegue ao fim, nós dois vamos acertar a mão.

Mair apenas sorriu e não disse nada.

Moisés esquartejou o animal sob a luz da fogueira. Entalhou espetos e transpassou na carne e depois os fincou no chão, próximo do fogo. O chiado das gotas de sangue caindo na brasa. As sombras se moviam ao redor do acampamento e deslizavam sobre outras sombras mais antigas e espessas. Por muitas vezes meus olhos procuraram naquela dança de sombras trêmulas algo como formas, figuras que nos vigiavam. Mas talvez minha cisma não fosse outra coisa senão o duradouro efeito do fumo de Mair.

Comemos em silêncio, cada qual no seu canto. Dormi com o barulho das águas e o estalar da fogueira.

Estava no alto de uma montanha. Mais adiante, uma planície de plantas rasteiras e esguias. Tudo era estranho naquela paisagem. Um pajé sem rosto surgiu de repente e se aproximou de mim. Não me despertou qualquer temor. Seus gestos eram lentos e seu corpo pintado com um pó branco e traços e formas de uma enigmática geometria vermelha. Falava numa língua que não se parecia com nada que eu tivesse escutado na vida. Ruídos muito antigos. Ranhuras de madeira contra madeira, da terra quando se move sob o chão. Não vinham de sua boca, emanavam de algum lugar anterior. Tudo ecoava dentro da minha cabeça. E dentro da minha cabeça sua mensagem era clara: o pajé me disse que tinha sonhado com seus ancestrais, e que eles haviam lhe dito que os corpos dos guerreiros não podiam descansar, porque seus restos mortais e suas terras e suas mulheres e descendentes e também seus deuses foram profanados. E seriam profanados pelos séculos dos séculos. O pajé ficou em silêncio. Atrás dele, avistei uma legião de soldados em marcha pela planície. Então o pajé se transformou num jaguar e desceu as escarpas arrancando lascas de pedra e fogo por onde passava. Seu rugido se misturava ao som de um trovão. À frente do regimento, um homem, que talvez fosse um antigo general, erguia uma bandeira esfacelada e guiava aquela legião cadavérica. Foi aí que a coisa mais impressionante aconteceu: o jaguar saltou de uma distância absurda, bateu as patas na cabeça do cavalo e dali deu outro salto e engoliu a cabeça do general num golpe. E depois começou a estraçalhar o cavalo. Os homens atiraram contra o animal, com tudo que tinham, mas os tiros não eram nada além de barulhos secos. Outro jaguar apareceu. E mais outro. E os homens tombaram despedaçados, ainda vivos, e seus gritos desesperados ecoavam por toda a planície. Quando as feras terminaram de devorar os homens, um daqueles animais ergueu a cabeça e me fitou nos olhos. Saiu em disparada, na minha direção, e já estava então ali mesmo, a poucos metros de me alcançar, como se não respeitasse nem a distância e nem o tempo de um percurso. Quando senti sua respiração na minha nuca, acordei num salto.

O que você viu, estrangeiro? O Cigano. Sentado diante do fogo e envolvido num cobertor, como se aguardasse meu retorno daquele delírio. Alguma sorte?

Os fantasmas desta terra falam alto demais para a cabeça de um homem, eu disse.

Viu algum mar de vidro misturado com fogo?

Não. Nada que valha.


Arte: San Bartolomé, de Francisco Herrera o Velho.

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