1 / 2Luís Cosme Pinto
Novo livro de crônicas de Luis Cosme Pinto revela o olhar de um caminhante atento, que encontra nas dobras da cidade histórias que não acabam onde parecem terminar.
Com faro aguçado de repórter e ouvido atento ao humano comum, Luis Cosme Pinto entrega em Acabou, mas continua um conjunto de crônicas em que o olhar perspicaz se alia a uma prosa afetuosa, espirituosa e de rara empatia. Herdeiro da tradição de cronistas que caminham pela cidade mais para escutar do que para anunciar, Cosme não se ocupa de grandes feitos, mas das curvas tortas e deliciosamente imprevisíveis do cotidiano.
Neste novo livro, cada esquina, literal ou metafórica, é pretexto para um relato que começa com humor, tropeça numa lembrança e termina, como a cidade, pedindo fôlego para mais.
É assim, por exemplo, que um simples erro de rota entre duas ruas de nomes indígenas em São Paulo rende uma crônica saborosa, repleta de imagens inesperadas e comentários certeiros sobre a vida urbana.
“Acabou, mas continua”, diz o carteiro diante do escadão que interrompe a rua e, com isso, entrega também a chave da escrita de Cosme: uma literatura de persistência e espanto, que celebra o que segue, mesmo quando parece ter terminado. Aos 63 anos, o autor confirma seu lugar entre os grandes cronistas do país, escrevendo com frescor, generosidade e uma curiosidade que, felizmente, não se esgota.
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Luís Cosme Pinto
Nascido no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, Luís Cosme Pinto aprendeu a ler no ambiente familiar antes de ingressar no sistema educacional. Iniciou sua carreira profissional na Rádio Bandeirantes do Rio de Janeiro. Ao longo de quase quatro décadas, atuou como repórter e editor de jornalismo em emissoras de televisão, incluindo TV Globo, Rede Manchete, SBT, Record e TV Cultura. Fez parte das equipes de cobertura de eventos internacionais como a Copa do Mundo da FIFA de 1990 e edições dos Jogos Olímpicos. Em 2021, cursou pós-graduação no Instituto Vera Cruz, em São Paulo, cidade onde passou a residir. Posteriormente, solicitou demissão da TV Globo para focar na produção literária e no trabalho como colunista nos portais Revista Fórum e Brasil 247.
Trecho
Cuxiponés ou Capepuxis? Confundi outra com uma e em vez de chegar à Vila Anglo, onde a primeira serpenteia, fui parar no Alto de Pinheiros, território da segunda, de muros altos e calçadas planas.
Entregador, atleta ou pedestre curioso... quem anda em São Paulo sabe que as ruas são confiáveis até a próxima esquina.
A Alves Guimarães e sua vizinha, Cristiano Viana, em Pinheiros, terminam num escadão. É pau. É pedra. É o fim do caminho. A gente se assusta.
— Como pode se o número que procuro ainda não apareceu?
A resposta do carteiro é simples: “Acabou, mas continua. A numeração segue ali na frente, basta subir a escadaria ou contornar o paredão. Respira fundo.”
Recepção
Destaque
Lê-lo é uma delícia e privilégio, saber que nem tudo é efêmero como um storie de Instragram que no dia seguinte vai-se embora para nunca mais.
— Fábio Altman, 2025-10-14T20:27:00.000Z