SOBRE
Dia quente de inverno é um livro de prenúncios. O próprio título é preditivo: os poemas deste livro nascem sob o efeito da violenta perturbação da ordem natural provocada pela humanidade. Quer dizer, isto na melhor das hipóteses, uma vez que o mesmo título carrega uma dolorosa ironia: a essa altura, talvez a fase da mera perturbação já tenha passado, e agora o que resta é a última ilusão antes do fim.
Mas se enganam os leitores que ainda acreditam que temas grandiosos demandam, necessariamente, palavras grandiloquentes. Dia quente de inverno persegue o apocalipse como quem escuta vozes comuns, familiares, e as transcreve de forma ainda mais simples. No abismo entre o grito e o não retorno, a autora persegue também a palavra-primeira; a palavra escutada na música cantada ao nosso redor e transmitida como prenúncio de si mesma. Talvez aí esteja o sopro da sobrevivência que nos permite imaginar outros mundos – entre eles, quem sabe, aquele em que Camilla Loreta escreve um livro intitulado “Dia quente de verão”.
CAMILLA LORETA
Camilla Loreta nasceu em 1989. Dirigiu dois curtas-metragens: Clara e O Silêncio das Pedras. Publicou o livro Sândalo vermelho e os gatunos olhos dela (Urutau, 2022). Vive em São Paulo. Dia quente de inverno (Cachalote, 2025) é seu primeiro livro de poesia.
TRECHO
A flor clitória
Vinda do feijão borboleta
Sobe pelo aparato de madeira que pendurei para esse fim
DETALHES DA EDIÇÃO
Páginas 156
Formato 16x19cm
Gênero Poesia
Edição André Balbo
Assistência editorial Gabriel Cruz Lima
Revisão Veneranda Fresconi
Direção de arte Luísa Machado
Capa Deni Lantz
Projeto gráfico Leopoldo Cavalcante
Comunicação Gabriella Martins, Luiza Lorenzetti
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