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Do aço, poema de Nitiren Queiroz

por Nitiren Queiroz
Foto de Luísa Machado para ilustrar

Nitiren Queiroz vive em Osasco (SP). Educador e dançarino. Mestre em Psicologia Educacional e graduado em Comunicação e Artes do Corpo. Foi através de vivências no Hip-Hop que adentrou o universo da poesia. Foi membro do coletivo Tantas Letras que organiza o sarau Lapada Poética. É autor dos livros Nêfesh (Dobra Editorial, 2014) e Pelos Olhos do Jaguar (Editora Urutau, 2020), além de participar da antologia Nada Mais Parecido a Um Fascista do que Um Burguês Assustado (Editora Hecatombe, 2021).


DO AÇO

I

Tudo depende
do gosto coalho do aço,
da viga bamba
sob telhado de cera
 ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤna casa assombrada.
O aço
que rumina vísceras açucaradas.
O aço –
rebelião da semente pelo fogo –
arrasta meus rins pelas ruas,
arranha a gritaria dos carros
e ruge
pelos canos
 ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ  das armas.

(O canto do bode
na minha boca –
o canto do bode abandonado
do lado de fora dos portões da escola –
o canto do bode não cabe no cálice.)

II

Calam-se espíritos famintos
que agora martelam-me as têmporas –
e não hesitam,
nem aliviam seus golpes
noite adentro moldando-me adaga
cega, assobiando rasuras
entre corpos que ocupam a sala.

Onde cacos de copos pisados
por crianças embriagadas,
sou lâmina em brasa
querendo mais fogo
que alimente minha luminescência.

Onde cortinas de arame farpado
florescem costurando-me a derme,
conjuro o gavião real
com meus olhos no prato oxidado.


Foto de Luísa Machado.

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