Josué e a Baleia

por Júlio César Bernardes
Fotografia: Praia de Copacabana, atual Forte de Copacabana – Marc Ferrez (Coleção Gilberto Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles).

Júlio César Bernardes nasceu em 1993 em Jacareí (SP) e mora há dez anos em São Paulo. É formado em Relações Internacionais e em Linguística e é mestre em Sociologia pela Universidade de São Paulo. Autor de Onde as verdades nascem (Patuá, 2022), tem contos publicados em revistas digitais, participou das antologias Literatura Br e Casa Gueto e foi finalista do Prêmio Nascente, promovido pela USP.


Apesar de toda a fé com que, noite após noite, ao longo de oito anos, ele rogou por um teto sob o qual dormir, e da certeza inabalável de que suas preces seriam atendidas em algum momento, jamais ocorreu a Josué que o presente divino, quando entregue, pudesse ser tão peculiar e precioso como o que encontrou naquela manhã, quando os primeiros raios de sol, já cintilando nas garrafas quebradas e nas latas amassadas espalhadas pela praia, deixaram de iluminar seu rosto curtido por terem esbarrado nas monumentais costelas de uma baleia azul.

A ossatura colossal, com vinte e sete metros de comprimento por quatro de altura, ria da insignificância das coisas terrestres, de coqueiros, palmeiras e postes, e de uma ponta a outra da baía se via sua brancura estonteante, cultivada por um século nas profundezas da Antártica. Não era à toa, pois, que um grupo considerável de turistas já se encontrasse no local, estupefato com o inusitado espetáculo, quando Josué acordou. O que não se explica tão facilmente é que nenhum dos curiosos tenha se aventurado pelo que um dia foram as entranhas do glorioso mamífero, como se reconhecessem, desde então, a natureza privada do terreno demarcado pela carcaça.

No centro da coluna vertebral, de braços e pernas bem abertos, Josué, que a todos parecia vítima das mandíbulas de um demônio marinho, abriu os olhos e caiu no choro. Anunciou-se abençoado. Ali estava, enfim, o pedido que tanto aguardara, esculpido pelo tempo, polido pela espuma do oceano e carregado pelas ondas especificamente até ele, e correu beijar e abraçar cada uma das costelas, sorrindo e saltando, tropeçando na areia fofa, explicando, para a alegria dos turistas, que aquele era seu lar. É sua casa? Perguntavam, pois sim! E há quanto tempo? Desde que o mar me deu. E como você a conseguiu? Rezando, rezando muito, e a mão de Deus tirou da água, assim, olha, desse jeito, e colocou aqui, peça por peça, enquanto eu dormia, porque foi surpresa, entende?

Meia hora depois, mais de vinte milhões de pessoas já tinham assistido, em quarenta e seis países, aos vídeos do homem que habitava o esqueleto de uma baleia azul num recanto do litoral brasileiro. E o lugar, conhecido pela tranquilidade, aparecia, a cada foto de Josué publicada nas redes sociais, mais e mais abarrotado de gente.

O diretor da guarda municipal, instruído, por anos, quanto ao perigo inerente a qualquer aglomerado humano, principalmente os espontâneos, correu para o lugar tão logo ficou a par da situação. No caminho, recebeu, além de áudios do prefeito, mensagens de assistentes da Comissão de Turismo e de Cultura da Assembleia Legislativa, de integrantes influentes do Instituto de Biologia Marinha da Universidade Estadual, bem como de um secretário do ministério do Meio Ambiente, gente da qual nunca chegara perto. Eram unânimes quanto à necessidade de evacuação completa e imediata do local, a fim de que os devidos testes fossem conduzidos com o material recém-descoberto. Assim que chegou à baleia, no entanto, depois de muito esforço para atravessar a multidão, percebeu que a tarefa seria impraticável. Os restos do animal atraíam muito mais gente do que um dia reuniram ali o sol e o mar.

Convencido de que precisava, pelo menos, expulsar Josué do fóssil, o diretor da guarda, reconhecendo-se insuficiente para o trabalho, saiu em busca de apoio. Ele demorara vinte minutos para transpor a praia da primeira vez, levou mais meia hora para regressar à pista e, em seguida, mais de uma hora para voltar com doze oficiais bem armados, número nada trivial para a pequena cidade, mas que se provou escasso frente à insatisfação dos civis. Sob ordens para despejar o mendigo da carcaça, o contingente, já entre os dentes brancos que perfuravam a areia, foi tragado por uma avalanche de vaias que ensurdeceu o estrondo das ondas. Inúmeros celulares se ergueram, registrando a ação enquanto vozes exaltadas denunciavam o tratamento indigno que as autoridades locais dirigiam à população em situação de rua, vulnerável, gritavam, justamente pela omissão ou pela incompetência do poder público. O diretor, assustado com o calor da resistência, julgou melhor afastar dos turistas seu pelotão destreinado para o constrangimento.

No aguardo de novas diretrizes, mais adequadas às circunstâncias, o diretor, de forma vaga, mandou os policiais vigiarem o movimento, ao que obedeceram sem muito esforço, conscientes de que sua permanência na orla era figurativa. Isso porque a admiração que a ossatura excitava se mostrara suficiente para ali atulhar de gente não só a terra, mas também o mar, onde lanchas e iates circulavam além do ponto de requebração, e até mesmo o céu, no qual helicópteros e teco-tecos desafiavam as poucas nuvens daquela manhã incomum, compondo uma audiência que em muito superava as capacidades de monitoramento da segurança municipal. Além do mais, para cada um dos guardas, e isso apenas até onde conseguiam contar com os olhos,havia pelo menos duas equipes de telejornais acompanhando o episódio, e não foi com surpresa, então, que o diretor da guarda recebeu um segundo telefonema do prefeito, aturdido e claramente já cobrado por outras instâncias, avisando que, caso alguém encostasse um dedo naquela porcaria de mendigo, seriam dele, do diretor, os próximos ossos encontrados na praia.

Para Josué, por outro lado, o dia não poderia ser melhor. Chegavam até ele garrafas d’água, refrigerantes, sanduíches e doces, que ele ajeitava com carinho na região anterior direita da carcaça, onde explicara ser a cozinha, e também toalhas, camisetas e chapéus, que guardou no centro do esqueleto, onde ficava seu quarto. Entre um e outro presente, dava várias entrevistas a turistas que o abraçavam por entre as costelas da baleia azul, telefones em punho, cada um perguntando-lhe um pouco de sua vida. Foi dessa forma que, gradualmente, os vídeos amadores constituíram, somados, um resumo emocionante de sua trajetória, atualizado em tempo real em comunidades virtuais. E não só em português, mas em idiomas de todo o globo, porque as entrevistas que não eram conduzidas com tradução simultânea, a partir de equipes multiculturais formadas por voluntários entusiasmados, eram prontamente legendadas na internet.

O tumulto ao redor de Josué não diminuiu pela noite e muito menos no dia seguinte, e deu-lhe descanso apenas quando o homem dormiu e nas vezes em que se recolheu para o interior de um lençol pendurado em uma das vértebras da baleia, que ele chamava de banheiro. Pelo contrário, a multidão crescia. Peruas chegavam com mantimentos de doadores distantes, tocados pela história do sem teto, e os itens foram logo utilizados para suprir os espectadores, em vez de Josué, pois este já não dispunha de espaço na dispensa. E não era como se o público enfrentasse alguma dificuldade para se abastecer, pois ainda na tarde anterior vendedores ambulantes de todas as praias vizinhas haviam trocado suas respectivas rotas de venda pelos arredores da baleia, garantindo em uma noite o sustento de uma semana e permitindo que o evento se prolongasse indefinidamente. Também foi na primeira noite que os estudantes da cidade montaram barracas ao redor da carcaça, decididos a proteger tanto Josué quanto o esqueleto enquanto não se soubesse como proceder com a situação, e foi ali, entre eles e os turistas, que se delinearam os primeiros debates e planos de ação.

Deveriam tirar a ossatura da praia, se a natureza ou Deus haviam optado por acrescentá-la à paisagem local? Em um museu, ela cumpriria melhor seu papel de servir ao conhecimento, alegaram alguns, mas então estaria acessível apenas mediante pagamento, enquanto ali, na praia, ninguém precisaria pagar para vê-la. Mas e a segurança dos ossos? Expostos daquela maneira, além de sujeitos à intempérie, a qualquer momento poderiam ser saqueados e vendidos no mercado negro. Mas os ossos eram legítimos, por acaso? Havia de se tirar a prova, antes de levar o argumento adiante, e para tanto era preciso que o esqueleto fosse transportado até onde a veracidade do material pudesse ser atestada. E quanto a Josué? Pois não era justo que o devolvessem às ruas. Sim, era verdade que uma carcaça de baleia talvez não fosse a residência mais apropriada para um ser humano, mas era o que ele tinha agora, parecia inclusive feliz, e não cabia, também, a ninguém ali, decidir o que ciclano ou fulano poderiam chamar ou não de casa, ponderação arrematada por um grito niilista, proferido do centro da multidão, segundo o qual todo lar, no fim das contas, é uma ilusão de segurança.

Após uma madrugada de discussões acirradas, a assembleia de turistas e estudantes deliberou que a carcaça precisava ser deslocada até o campus da Universidade, com Josué dentro. No dia seguinte, diversos foram os representantes de organizações e autoridades, maiores e menores, que atravessaram a praia lotada para negociar com os responsáveis interinos pelo esqueleto e pelo mendigo. Argumentaram que a decisão dos presentes, conquanto bem intencionada, carecia de legislação e de jurisprudência, que abria precedentes perigosos e que ignorava o longo prazo. Mas todos os raciocínios, justos ou não, naufragaram em denúncias veementes de acordo com as quais eram precisamente aquelas leis e aqueles cálculos que, para começo de conversa, haviam falhado e permitido que Josué morasse na rua por oito anos. As respostas nesse sentido, registradas por dezenas de aparelhos celulares, eram imediatamente compartilhadas em redes de alcance continental, e despertavam maior atenção quanto mais acalorados eram os debates em volta da baleia.

No terceiro dia, apresentadores de programas de televisão vieram entrevistar Josué, comprometendo-se a encontrar sua mãe, seu pai, seus irmãos, a promover encontros emocionantes nas telas de todo o Brasil, além de oferecerem carretas de móveis, eletrodomésticos, roupas, e um curso de informática, Josué, o que você acha? Já temos três empresas parceiras interessadas em te contratar! Mas os estudantes e os turistas hostilizaram as equipes de produção, consternados com a desonestidade dos comunicadores, pois, se tivessem assistido aos primeiros vídeos de Josué, saberiam que o pobre coitado já não tinha familiares vivos. Um dos apresentadores, ressentido, deixou escapar, na frente das câmeras, que era infundado esperar comportamento diferente daquela turba fanática, já que poucos eram os universitários que viviam em lugares melhores do que cadáveres marinhos.

No quarto dia, apareceram jornalistas europeus para cobrir o incidente que cativara espectadores do mundo inteiro. Produziram reportagens em diversas línguas sobre a população brasileira em situação de rua, expondo estatísticas alarmantes ao julgamento da comunidade internacional. Foi quando chegaram à pequena cidade ordens exigindo que o esqueleto e o bendito sujeito fossem removidos, não importava para onde, desde que agora, e a demanda dos universitários foi enfim atendida, pois já não havia quem se atrevesse a desafiar o alcance e a força da opinião pública que o tema mobilizara.

Interessada na publicidade, uma transportadora do norte do estado se ofereceu para conduzir a carcaça e disponibilizou dois caminhões desenvolvidos para o traslado de eucalipto, compostos de sete carretas cada, em cima das quais a ossatura da baleia azul foi cuidadosamente alocada com o auxílio de guindastes industriais. Para preservar o fóssil, os caminhões avançaram muito lentamente, o que permitiu às pessoas na praia acompanharem o trajeto a pé. A multidão celebrava cada aceno que Josué desferia do alto da cauda do mamífero, que era também seu quintal, e se dissipou apenas quatro horas depois, dentro do campus, quando os restos do animal já reluziam como um farol diante do prédio de Oceanografia. Ali ficaria atestado que os ossos realmente pertenceram a uma baleia azul, que vivera inacreditáveis cento e trinta e dois anos, e que habitara, ao que tudo indicava, o Mar Siberiano Oriental, tendo parado no meio do Atlântico ninguém jamais soube como.

Passadas duas semanas, quando a questão parecia resolvida e a atenção que lhe era reservada diminuiu, os estudantes, na manhã de uma segunda-feira, deram com Josué vagando desconsolado diante do instituto. A carcaça havia desaparecido. Uma manifestação foi articulada para questionar onde se encontrava o patrimônio arduamente conquistado, pressionando uma reitoria vazia e conselhos e comissões que não se reuniram. Notícias tímidas em jornais impressos reportavam que o esqueleto de baleia azul havia sido transferido, durante o domingo, para o Museu de História Natural da capital, a fim de que sua preservação fosse melhor garantida. Os estudantes, depois de fracassarem na empreitada de reacender o ânimo dos dias anteriores, e frustrados com o silêncio que suplantou o assunto tão logo ele adentrou os muros da Academia, colocaram Josué dentro de um ônibus e o levaram até o museu, em cujos portões iniciaram um módico protesto.

Bradaram em megafones, pregaram faixas nos muros e tentaram em vão obstruir a rua. Particularmente sensível e abalado com a apatia generalizada dos transeuntes, um estudante distribuiu, nas esquinas, em cópias feitas à mão, um poema recém-escrito, que tinha como argumento central o raciocínio de que o coração de uma baleia azul pesa mais de seiscentos quilos e que, se tivessem encontrado não os ossos, mas o coração do mamífero, e logrado dividi-lo com políticos e diretores de museus, haveria menos gente em situação de rua. O poema foi ignorado, mas os papéis no chão serviram para incomodar os seguranças, que chamaram a polícia. No fim da tarde, quando as viaturas chegaram, alguns jovens, enquanto os colegas eram repelidos, tiveram êxito em infiltrar Josué no prédio, e lá o deixaram, depois de abraçá-lo abaixo das costelas do lado posterior esquerdo da baleia, onde ficava sua sala de estar. O retorno, no entanto, durou poucas horas. Na manhã seguinte, Josué foi encontrado na calçada na frente do museu, espancado, sem três dentes e com um braço fraturado.

Ao contrário da manifestação estudantil, fotos do homem jogado no asfalto, ferido e sangrando, estampadas nos principais meios de comunicação, rebentaram a cólera popular. Acompanhada pelo fôlego de associações de direitos humanos, de ativistas, celebridades e intelectuais, a revolta coletiva se alastrou e provocou uma maré de denúncias contra todas as esferas do poder público. A penetração do discurso foi tamanha, que o Museu de História Natural passaria mais de um mês sem receber visitantes. Turistas que haviam acompanhado o recolhimento da baleia e que ainda se encontravam no estado se deslocaram até a capital, e também alguns que já haviam deixado a região, mesmo estrangeiros, voltaram para cobrar justiça por Josué, transformando a cidade em um protesto contínuo, cosmopolita, poderoso e incontrolável.

Não havia, porém, quem soubesse qual o próximo passo a ser dado, nem em que direção era preciso dá-lo. Nenhum museu ou laboratório se mostrava disposto a aceitar a carcaça com Josué como inquilino, e tampouco a recebê-la sem ele, tornando-se responsável por devolver-lhe a condição de sem teto. Restava a opção de realocar o esqueleto na Universidade, mas o governo estadual, parte da reitoria e uma parcela considerável da sociedade civil relutavam em permitir que os estudantes, para muitos convertidos em baderneiros pelos eventos recentes, saíssem vitoriosos.

Foi recebida com espanto, certa manhã, a notícia de que a fascinante ossatura e seu excêntrico morador seriam removidos para um museu turco. As tentativas de se descobrir as partes envolvidas na negociação, os lugares em que se deram, as cláusulas acordadas e os valores definidos caíram todas por terra, mas foi rapidamente revelado que o destino de Josué se tratava de uma instituição de arte contemporânea, não de ciências naturais. Curiosos ou indignados, jornalistas constataram que Josué e a baleia integrariam uma exposição patrocinada por um banco belga, assinada por uma artista plástica holandesa, e que consistia, basicamente, em permitir que espectadores pudessem assistir à rotina do homem dentro de sua casa de ossos, no centro de um grande galpão. Inúmeras e esperadas críticas alvejaram o projeto, recriminando a exploração de Josué, tendo em vista, sobretudo, sua vulnerabilidade econômica e social, mas a artista, com precisão e não sem muita desenvoltura, parecia sempre disposta a lembrar que seu modelo receberia três mil euros por mês. O argumento não apenas convenceu boa parte dos críticos como originou, em muitos lugares, e principalmente na cidade onde Josué vivera, uma revolta velada contra o desfecho da história. Muitos foram os que começaram a dizer, ao que saíam cedo para trabalhar, que melhor seria largar tudo e esperar na praia até que surgisse uma baleia.

Com efeito, nos anos seguintes, período no qual Josué e sua casa rodaram cinco continentes, embora sem retornar ao país de origem, cresceu significativamente o número de pessoas em situação de rua na pequena cidade do litoral em que um dia aparecera o misterioso esqueleto de baleia azul, sonhando decerto com a atenção que Josué ali recebera.

Não atentaram para o infortúnio de que, mesmo que um novo prodígio emergisse dos mares, a repercussão do caso seria completamente diferente sem a participação dos turistas, que foram diminuindo, a cada nova temporada, uma vez que era impossível frequentar praias daquele jeito, cheias de mendigos.


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Os contos de Onde as verdades nascem remetem a regiões afastadas dos centros urbanos brasileiros, seja pelas paisagens, seja pelas personagens, e têm a vantagem de, ao não serem localizadas com precisão, flutuarem, quanto à geografia, no imaginário de quem lê, oferecendo às vezes uma cidade à beira-mar, às vezes a floresta amazônica, às vezes periferias ou então cidades pequenas. E essas tramas, apesar da ambientação, escalonam e alcançam problemas universais, ora porque exploram relações entre o interior e as capitais — a dependência do agronegócio ou do turismo, por exemplo —, ora porque retratam problemas contemporâneos que na verdade são velhos e bem conhecidos — a influência de famílias tradicionais, a ineficiência da burocracia e a omissão do poder público. Os elementos insólitos que deflagram alguns contos acabam adquirindo nuances irônicas, já que o absurdo espanta menos do que as situações potencialmente concretas, e o que a princípio poderia parecer regionalismo abarca experiências tangíveis e atuais, como a erosão das instituições, a disputa por narrativas oficiais e a fragilidade da verdade.


Fotografia: Praia de Copacabana, atual Forte de Copacabana – Marc Ferrez (Coleção Gilberto Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles).

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