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3 poemas de Gyzelle Góes

3 poemas de Gyzelle Góes

por Gyzelle Góes

06 de fevereiro de 2023

segunda-feira

aguardo no parapeito das sementes
dos girassóis o rosto da morte
ou a vida

segunda
encontro-a desfalecida
em alguns rostos-vultos avulsos
empapam a minha vista

me enfio no retrovisor
visualizo um rato
ou a performance de um roedor
a atravessar o caule de uma figueira

me trancafio na roleta de prata
finjo vestida de gala o meu funeral

que apesar de singelo me cheira
morta natureza os meus dedos
estão exaustos

poemas movediços ou contradição

o meu silêncio fura o chão.
há quem suponha que estávamos
enterradas, no calo de um dromedário

eu não digo estarmos contrariadas.

o suor nos descia a depilar as costas
e a deformação das palavras.
eu que abro a boca para calar
a sede, derreto o copo de plástico.

o caju me interrompe o soluço
arenosas imagens, mulheres
em uma ampulheta às horas gravadas:

reflito o meu deserto real-imaginário.

sorvete de café

ao símbolo do infinito o
dedo entrelaçado nas costas
de um morcego cego

as fotos e os faróis

nós que engatinhamos
nas escamas de uma pomba
presa na cidade do centro

a praça e uma caderneta

nós que nos sentamos
naquele dia o sol secando
o estrume dos bancos

e tomamos um sorvete de café
pistache por cima das pedras

o que eu mais quero deste poema
é que não derreta sob os meus dedos

Gyzelle Góes

Gyzelle Góes é autora de Amante (Urutau, 2019) e de O que fizemos das nossas delicadezas (Folheando, 2023). Cursa o mestrado em Literatura, Cultura e Contemporaneidade (PUC-RIO). Edita e ilustra para a Editora Folheando.

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